03 março 2011

Projeto Chegadas

Um andorinha não faz a Primavera. Sobretudo porque algumas não chegam a atravessar Gibraltar, ficando o Inverno entre nós e nuestros hermanos. Mas tantas outras espécies fazem-no, embarcando em migrações mais ou menos longas, muitas delas para lá do deserto do Sara. E neste momento estão de regresso, umas mais cedo que outras. Algumas já por cá andarão, como o Cuco-rabilongo. Outras ainda irão tardar mais cerca dois meses, como o caso do Solitário.

Para tentar mapear ao longo do tempo a chegada aos territórios de cria das aves migradoras, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves criou o projeto Chegadas. A ideia é simples, reportar espécies migradoras aquando da sua chegada a Portugal. E tentar perceber se há alterações significativas de ano para ano, se por exemplo chegam mais cedo os Milhafres-pretos agora que há dez anos atrás, ou se o Cuco-canoro continua a ser o arauto da Primavera (eu costumo ver os meus primeiros do ano por volta de dia 21 de Março, mas isto de Primaveras há muitas, umas mais cedo em Faro, outras mais tarde em Estocolmo).

Abelharuco, Merops apiaster

Março é mês de chegada dos Abelharucos. Inconfundíveis e bastante sonoros, são fáceis de detetar - e reportar. Portanto se os virem por aí, não custa nada tomar nota do local e da data, e fazer chegar essa informação ao projeto Chegadas através do endereço chegadas@spea.pt. Que da contribuição de todos se faz este projeto voluntário.

Qualquer interessado pode e deve participar. Ou parafraseando o coordenador do projeto Chegadas, Henk Feith, 'Boas observações e, se as tiver, envie-as!'

Mais informações sobre datas de chegadas aqui.

28 fevereiro 2011

II International Urban Sketching Symposium - Lisbon


Prossegue a contagem decrescentepara o encontro dos Urban Sketchers em Lisboa - e parte dos preparativos podem agora ser seguidos no blog do evento.

Lagoa de Albufeira

De quando em vez, as margens da Lagoa de Albufeira encontram-se polvilhadas de alforrecas mortas. Outras vezes de lesmas-do-mar. E procurando com um pouco de calma, também outros animais.

Peixe-rei, Atherina boyeri e Taínha, Chelon labrosus - Lagoa de Albufeira

26 fevereiro 2011

Avifauna de Lisboa

No Jardim Zoológico de Lisboa já há alguns anos que um punhado de Gorazes estabeleceu uma pequena colónia. Vindos da sua migração trans-Sariana estas aves algo escassas em Portugal, encontraram em Sete-Rios local para nidificar. Essencialmente noturnas, estas garças passam os dias empoleiradas em ramos de árvores, sendo visíveis levantando vôo ao crepúsculo ou regressando ao amanhecer dos seus locais de alimentação. Na região de Lisboa, são detetadas com alguma frequência nos jardins da Fundação Calouste Goulbenkian (como foi o caso do exemplar retratado no Diário de Viagem em Lisboa), tendo sido também avistadas noutros locais como Monsanto, Jamor e por vezes na Amadora.

Goraz, Nycticorax nycticorax e Pardal, Passer domesticus - Lisboa

O pardal dispensa apresentações. É a par do pombo-das-rochas a espécie de ave mais comum nas nossas cidades. No entanto tem visto as suas populações colapsar espetacularmente em certas partes da Europa, como o Reino-Unido - onde nos últimos 25 anos a população diminuiu em cerca de 60% - ou a Alemanha. As razões deste declínio não são claras, pensa-se que tenha a ver com o desaparecimento de insetos - parte importante da alimentação das crias desta espécie essencialmente granívora. Talvez isto se deva a mudanças climáticas, talvez se deva a diferentes utilizações dos solos. Que uma espécie tão comum e adaptável como o pardal esteja a desaparecer só pode ser encarado como um indicador lúgubre do que se está a passar mundialmente em grande escala. Chegará o dia em que nem o conspícuo pardal fará parte dos nossos dias?

23 fevereiro 2011

E no estirador está...

...ainda a Mariquita-d'asa-amarela. Que por vezes os projetos evoluem de modo pouco linear.

Mariquita-d'asa-amarela, Vermivora chrysoptera

22 fevereiro 2011

Little Boxes

Sialia mexicana, fêmea com crias

Outra espécie que encontrei e desenhei em Hastings, aqui já em forma de ilustração finalizada. É provável que no futuro haja mais uma ou outra entrada sobre estas aves, atendendo à quantidade de notas que tirei.

(e sim, o título remete para isto)

19 fevereiro 2011

Palavras-cruzadas

Enquanto fazia tempo (expressão curiosa, sobretudo quando o que se ouve mais são queixas de falta de tempo) para apanhar o autocarro para o aeroporto, ao meu lado sentou-se uma senhora. Abriu lentamente o jornal e começou, com toda a calma do mundo, a fazer palavras-cruzadas. Vi naquele vagar a possibilidade de desenho e avancei para o caderno. Que entre passatempo de um e fazer tempo de outro, algo interessante ficaria registado.

Funchal, Madeira

12 fevereiro 2011

II International Urban Sketching Symposium - Lisbon

Irá decorrer em Lisboa, de 21 a 23 de Julho, o 2º Simpósio Internacional dos Urban Sketchers. Durante três dias Lisboa será palco de palestras, workshops, muitos desenhos em cima do joelho (ou não), e a oportunidade de conviver com desenhadores de todo o mundo, do calibre do incansável desenhador que assina o desenho acima.

Mais informações aqui.

11 fevereiro 2011

Douro Internacional

Sapo-corredor (Bufo calamita) e detalhe de Castro - Douro Internacional

01 fevereiro 2011

Guimarota

Há cerca de 153 milhões de anos, na atual região de Leiria, a paisagem era bastante diferente da que vemos hoje. Outros tempos, outras faunas, outras floras. Esta riqueza Jurássica ficou parcialmente  preservada nos sedimentos rochosos, e pode ser testemunhada pelos inúmeros fósseis extraídos da mina da Guimarota.

Lepidotes sp., Theriosuchus guimarotae e amiídeo - Guimarota

Nesta cena, um pequeno crocodilo Theriosuchus guimarotae tenta escapar ao ataque de um amiídeo primitivo, enquanto dois couraçados Lepidotes sp. se afastam apressadamente.