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| Sialia mexicana, fêmea com crias |
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22 fevereiro 2011
05 janeiro 2011
Gaio-dos-matos da Flórida
Cooperatively breeding birds. Falei disso aqui e aqui. Mesmo projecto, mesma temática, ave diferente. Desta vez um corvídeo - o Gaio-dos-matos da Flórida.
Confinada ao estado norte-americano da Flórida, esta espécie encontra-se exclusivamente em matos de carvalhos-arbustivos que se desenvolvem em solos arenosos bem drenados - um habitat que tem sofrido enorme contração. Com uma área de distribuição tão reduzida e tamanha dependência de habitat - e juntando a isto a destruição deste último por ação humana - é fácil perceber o porquê de esta espécie ser classificada desde 1997 como Ameaçada.
Nesta espécie é frequente que crias de ninhadas anteriores fiquem pelo menos um ano junto dos progenitores, ajudando a criar ninhadas seguintes, formando assim famílias alargadas e com maior êxito reprodutor. Esta particular estratégia reproductiva não é exclusiva destes corvídeos, podendo por exemplo ser encontrada num outro corvídeo que curiosamente também tem uma distribuição reduzida: o ibérico Charneco.
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| Gaio-dos-matos da Flórida, Aphelocoma coerulescens |
Fica uma mostra de algumas etapas, da fase preliminar até à arte final.
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Aphelocoma coerulescens,
BirdScope,
Cornell Lab of Ornithology
15 novembro 2010
Benedito-das-bolotas
Wacka-wacka. Assim eram as manhãs em Hastings, todos os dias sem falha. Mas mais do que sobre Hastings este texto é sobre um pequeno pica-pau americano.
Melanerpes formicivorus, ou Benedito-das-bolotas. Assim se chama esta espécie colonial conhecida pelos seus celeiros, que se distribui desde o noroeste dos Estados Unidos da América até à Colômbia. Sendo uma das espécies de aves melhor estudadas em Hastings - e apesar de não ser uma das espécies presentes no poster da NestWatch (mencionado anteriormente aqui e aqui) - mereceu a minha atenção durante vários dias.
Comecei por me familiarizar com as aves. Muitas horas passadas num abrigo a observar uma cavidade, e o tráfego de aves ao seu redor - cada grupo pode ter cerca de doze membros. E são bastante territoriais. Esboço a esboço fui compreendendo melhor a morfologia desta espécie. Percebendo como identificar machos e fêmeas - estas últimas possuem uma banda transversal preta no topo da cabeça. Familiarizando-me com posturas típicas desta espécie.
Tomando notas de padrões. Muitas notas, de muitas coisas que nunca terão grande aplicação directa - mas que me levaram a observar com mais atenção aos objectos de estudo.
Os esboços sucediam-se ao sabor da oportunidade. Rápidos, como as visitas das aves ao ninho. Num instante aparece uma ave - entra na cavidade e desaparece do alcance visual. Depois tão rapidamente como chegou, voa para longe.
Contei com uma possibilidade inesperada - uma ave incapacitada de ser devolvida ao estado selvagem, era mantida pelos investigadores residentes. O Benedito-das-bolotas considerava-os o seu grupo familiar, e respondia agressivamente a todos os intrusos - eu incluído. Inicialmente pedi para desenhar a ave, mas o facto de estar sentado ali frente à gaiola deixou-a num tal estado de fúria que passados poucos minutos decidi ir-me embora - não valia a pena estar a agitá-la daquele modo, por mais que me desse jeito estar próximo para notas de pormenor.
Surgiu então outra possibilidade inesperada - uma ave embalsamada. Aproveitei para tomar notas mais detalhadas da plumagem e patas. Ganha-se informação sobre detalhes, mas perde-se em comportamento - e para isso nada substitui a observação directa.
Durante as vigílias junto à colónia fui presenciando e registando alguns comportamentos. Aqui um membro do grupo caçava escaravelhos em vôo. Repetidamente lançava-se a partir de um ramo ao qual regressava após cada incursão.
Um outro pormenor que me chamou a atenção - numa das observações uma ave estendeu a língua e tornou a recolhê-la num ápice. Foi um movimento rápido que me permitiu um vislumbro numa das mais incríveis adaptações desta família - a sua língua. Nos pica-paus esta é bastante grande, encontrando-se enrolada de modo complexo em torno do crânio (alguns exemplos aqui). É com este orgão terminalmente denteado que detectam e arpoam as larvas de insectos dos quais se alimentam.Outra coisa que se tornou óbvia - apesar de todas as aves da colónia utilizarem e depositarem os seus ovos num mesmo ninho, no território de um mesmo grupo existiam várias cavidades. O local onde passei a maior parte dos dias tinha um ninho activo situado imediatamente acima de um outro inactivo, na mesma árvore. Muitas das observações eram de aves chegando ao ninho com alimentos para as crias, saindo pouco de pois em busca de mais alimento. Apesar de os grupos serem mais numerosos que os de Tordos-azuis-ocidentais - uma outra espécie com estratégia reproductiva cooperante e que me interessava desenhar, passavam-se igualmente grandes períodos em que nada havia a fazer senão esperar.
Voltei de Hastings com muitos esboços de Beneditos-das-bolotas - e de outras espécies. Que ficaram a repousar, pois não tinham utilidade no imediato. No entanto estas notas têm sempre préstimo, mais cedo ou mais tarde haverá necessidade de recorrer a estas. E foi exactamente o que se passou quando quase três anos decorridos desde que parti da Califórnia me perguntaram se estaria interessado em ilustrar um poster com seis espécies de aves - uma das quais o Benedito-das-bolotas. A resposta não se fez esperar.
E foi assim que dei bom uso a todo o conhecimento apreendido durante muitas horas de espera e notas frente ao ninho dos Beneditos. Raramente há oportunidade de observar directamente uma espécie a ilustrar, de tirar apontamentos no local, de observar como se comporta em estado selvagem. O que é pena, pois o desenho de campo aporta grande riqueza e uma maior qualidade à arte-final. E quanto mais tempo a observar e desenhar uma espécie, melhor o nosso conhecimento da mesma e melhor a capacidade de a representar.
Mesmo que demorem vários anos até que a oportunidade surja.
Voltei de Hastings com muitos esboços de Beneditos-das-bolotas - e de outras espécies. Que ficaram a repousar, pois não tinham utilidade no imediato. No entanto estas notas têm sempre préstimo, mais cedo ou mais tarde haverá necessidade de recorrer a estas. E foi exactamente o que se passou quando quase três anos decorridos desde que parti da Califórnia me perguntaram se estaria interessado em ilustrar um poster com seis espécies de aves - uma das quais o Benedito-das-bolotas. A resposta não se fez esperar.
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| Benedito-das-bolotas, Melanerpes formicivorus - BirdScope, Cornell Lab of Ornithology |
E foi assim que dei bom uso a todo o conhecimento apreendido durante muitas horas de espera e notas frente ao ninho dos Beneditos. Raramente há oportunidade de observar directamente uma espécie a ilustrar, de tirar apontamentos no local, de observar como se comporta em estado selvagem. O que é pena, pois o desenho de campo aporta grande riqueza e uma maior qualidade à arte-final. E quanto mais tempo a observar e desenhar uma espécie, melhor o nosso conhecimento da mesma e melhor a capacidade de a representar.
Mesmo que demorem vários anos até que a oportunidade surja.
27 outubro 2010
Red-backed Fairywren
Cooperatively breeding birds. Foi este o conceito que me foi pedido para ilustrar para a edição de Inverno 2010 da BirdScope. De entre as seis espécies a representar, talvez seja esta a minha favorita - Red-backed Fairywren.
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| Malurus melanocephalus |
Nesta espécie é frequente o casal reproductor ser auxiliado por um ou mais machos descendentes de posturas anteriores do casal. Na ilustração um macho imaturo - de plumagem semelhante a uma fêmea - alimenta as crias. Em segundo plano encontra-se o casal reproductor, macho à esquerda, fêmea ao centro.
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Malurus melanocephalus
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